O Projeto Pioneiras acaba de publicar o artigo intitulado
“Loss of secondary-forest resilience by land-use intensification in the Amazon” em uma
edição especial da revista Journal of Ecology.
A edição especial da revista científica Journal of Ecology intitulada Forest resilience, tipping points and global change processes, traz sete artigos de pesquisa que avaliam a resiliência de diferentes florestas às mudanças globais, e um artigo de revisão sobre o assunto. A edição especial estará disponível gratuitamente online na página da revista.
Neste artigo, nós avaliamos o efeito da intensificação da agricultura de
corte e queima na resiliência das florestas secundárias (capoeiras) na Amazônia Central. A
pesquisa foi realizada em comunidades ribeirinhas do Médio Solimões, na região
do município de Tefé e Alvarães, no Estado do
Amazonas.

Os resultados da pesquisa mostram que, com o aumento da intensidade de
manejo, a área basal e altura das florestas secundárias diminui, a regeneração
da comunidade de plantas passa a depender principalmente de rebrotos, e a
infestação de lianas sobre as árvores aumenta drasticamente. Além disso, a
diminuição da área coberta por floresta madura na paisagem leva à diminuição da
diversidade de espécies nestas florestas. As propriedades do solo tiveram um
efeito limitado neste processo.
Nossos resultados demonstram a importância da intensidade
de manejo para determinar a estrutura das florestas secundárias e enfatizam a
importância das estratégias de regeneração para a resiliência da floresta. No
artigo nós discutimos como a intensificação do uso da terra pode levar o
sistema a um estado estagnado de sucessão, o qual terá baixa capacidade de
prover serviços ecossistêmicos e de manter a agricultura tradicional de corte e
queima na Amazônia.
Diagrama mostrando os efeitos da intensidade de uso da terra sobre a estrutura das florestas secundárias na Amazônia Central, Brasil.

À esquerda estão duas fotos de florestas secundárias que foram sujeitas a
baixa intensidade de uso: apenas um ciclo de corte e queima após a derrubada da
floresta madura. À direita estão duas fotos de florestas secundárias que foram
sujeitas a elevada intensidade de uso: foram realizados mais de oito ciclos de
corte e queima, com um tempo de pousio médio de 4 anos. Todas as fotos
representam florestas secundárias com 5-6 anos após o abandono da área
agrícola. Os triângulos representam a direção das mudanças em quatro variáveis
de estrutura da florestas ao longo de um gradiente de intensidade de uso da
terra.
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