sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

A importância de fatores bióticos no estabelecimento de propápgulos em capoeiras de Vismia.


O aluno de mestrado do Programa de Ciências de Florestas Tropicais (CFT) do INPA, Marcelo de Figueiredo Pissurno Motta Pinto, orientado pela Dra Rita Mesquita, montou seu experimento de mestrado nas capoeiras dominadas pelo genero Vismia nas áreas do Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais (PDBFF).
O trabalho tem como objetivo descrever e entender como e quais fatores bióticos influenciam e/ou impedem a germinação e estabelecimento de 3 espécies florestais (Hymenaea courbaril, Ormosia excelsa e Parkia multijuga) em áreas de capoeiras na Amazônia central. Para isso foi feito uma semeadura direta na capoeira sob 3 diferentes situações, com proteção de tela de galinheiro, enterradas e sobre a serrapilheira, com o intuito de excluir predação de sementes por médios e grandes animais vertebrados terrestres, proteção contra luz e manutenção da umidade.


Um outro experimento com mudas das mesmas espécies, com e sem proteção de tela de galinheiro, também foi montado para avaliar predação e herbivoria em estágio de plântulas.


Ao todo o trabalho do aluno pretende responder porque espécies de floresta primária ainda não estão presente em uma capoeira de 25 anos, se é um problema de dispersão, colonização ou estabelecimento de propágulos em uma floresta secundária na Amazônia central




quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Como a Amazônia Central esta respondendo ás variações climáticas?

No mês de fevereiro iniciou-se a instalação de dendrômetros em indivíduos arbóreos do Projeto Pioneiras, localizados no PDBFF. O objetivo da instalação, é aumentar a precisão na coleta de dados relativos ao crescimento das espécies. Os indivíduos que receberam o equipamento terão seus dados coletados em um curto período, com a utilização de paquímetros digitais.

A) Dendrômetros instalados pelo Projeto Pioneiras B) Paquímetro digital em uso.
O monitoramento do crescimento diamétrico desses indivíduos, ocorre simultaneamente em florestas com diferentes históricos de perturbação: floresta contínua, floresta fragmentada e floresta em regeneração. O PDBFF oferece uma oportunidade única de se avaliar as relações entre a estrutura do dossel e a dinâmica de carbono, além de possibilitar a comparação desses dados entre diferentes áreas.
Monitoramento das parcelas já instaladas pela equipe.
Os dados coletados serão de fundamental importância numa melhor compreensão sobre a resposta de florestas da Amazônia Central à fragmentação florestal, mudança no uso da terra e variações climáticas.




terça-feira, 21 de julho de 2015

As capoeiras e a fauna

Materia interessante falando do valor das capoeiras para a fauna. E aqui em Manaus isso é especialmente importante para restaurarmos um pouco da conectividade perdida nos fragmentos florestais urbanos.
http://noticias.band.uol.com.br/cidades/amazonas/noticia/?id=100000762276

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Projeto Pioneiras finaliza estudos de capoeiras no médio Juruá.

Entre os dias 02 e 23 de Junho de 2015, a equipe do Projeto Pioneiras esteve em campo novamente, dessa vez na região do médio rio Juruá, no munícipio de Carauari. Após uma primeira expedição à região em março de 2014 e a coleta de dados na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Uacari, nossos trabalhos se concentraram dessa vez na comunidade do Roque, localizada na Reserva Extrativista (Resex) do Médio Juruá. Ao todo foram inventariadas oito novas capoeiras com diferentes históricos de uso e tempo de regeneração da vegetação. Amostras também foram coletadas para análises química e física do solo.
                              Àreas em regeneração na comunidade do Roque; RESEX médio Juruá.

Desse modo, a equipe finalizou os trabalhos de campo relacionados ao estudo de cronossequências de capoeiras na região. Ao todo foram inventariadas e coletadas amostras de solo em 14 capoeiras no médio rio Juruá. Esses dados irão se juntar aos de outras 28 capoeiras amostradas em anos anteriores nos municípios de Parintins e Apuí.

O trabalho na região contou com o apoio logístico da Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC) e apoio e autorizações do ICMBio e CEUC, responsáveis pela gestão da Resex e RDS, respectivamente. 
Porto do município de Carauari; Ponto de partida para a subida do Rio Juruá

Em Carauari finalizamos mais um importante passo do Projeto Pioneiras, que é o de expandir os trabalhos que o grupo desenvolve em Manaus desde a década de 1990. Juntamente com as cidades de Apuí e Parintins, o trabalho em Carauari, aumentou a base de dados do projeto com o estudo de regiões geograficamente distintas e com características socioeconômicas, culturais e com histórico de ocupação humana diferentes. A ideia é que esses dados permitam ao Projeto Pioneiras compreender de maneira mais abrangente os processos relacionados à dinâmica do uso da terra e as consequências para a sucessão ecológica das florestas secundárias em regeneração em áreas abandonadas da Amazônia. Relatórios e informações adicionais sobre o trabalho do grupo estarão disponíveis em breve também nesse blog.
                               


Equipe do Projeto Pioneiras responsável pelo o levantamento dos dados da expedição.

segunda-feira, 1 de junho de 2015


 Projeto Pioneiras conclui a remedição anual 


A equipe do Projeto Pioneiras concluiu em maio a 16ª remedição anual dos transectos monitorados desde 1999 pelo Projeto. As áreas monitoradas estão situadas no Distrito Agropecuário da Suframa, aproximadamente 70 km ao norte de Manaus pela rodovia BR-174.
Durante 10 dias, a equipe do Projeto Pioneiras realizou a remedição das árvores em 17 transectos estabelecidos em uma área de estudo de aproximadamente 1000 km2. Além de medir o incremento em diâmetro, foram coletados dados sobre recrutamento e mortalidade das plantas. As informações coletadas ao longo desses 16 anos constituem um banco de dados que permite a compreensão da dinâmica da vegetação secundária regenerando sobre áreas degradadas na Amazônia. Esse conhecimento é importante para a proposição de métodos de manejo de capoeiras objetivando a recuperação de áreas degradadas na região, bem como para o refinamento das estimativas relacionadas ao potencial dessas florestas secundárias crescerem e absorverem carbono ao longo de seu desenvolvimento.
Paralelamente à remedição dos transectos, foram registradas fotografias hemisféricas (com lentes olho-de-peixe) do dossel das capoeiras. A ideia é relacionar informações de abertura do dossel e dados de sensores orbitais (cenas Landsat) para refinar a classificação de diferentes florestas secundárias a partir de dados de sensoriamento remoto.  O monitoramento contou com apoio logístico e financeiro do PDBFF, INCT/Servamb, FAPEAM, CNPq, e NSF (National Science Foundation).
                                  Registro da abertura do dossel  feito a partir de fotografias hemisféricas.
                                                  Fotografia panorâmica da área de estudo do Projeto Pioneiras.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Intensificação do uso da terra diminui a resiliência das capoeiras na Amazônia, segundo estudo publicado

O Projeto Pioneiras acaba de publicar o artigo intitulado


A edição especial da revista científica Journal of Ecology intitulada Forest resilience, tipping points and global change processes, traz sete artigos de pesquisa que avaliam a resiliência de diferentes florestas às mudanças globais, e um artigo de revisão sobre o assunto. A edição especial estará disponível gratuitamente online na página da revista.

Neste artigo, nós avaliamos o efeito da intensificação da agricultura de corte e queima na resiliência das florestas secundárias (capoeiras) na Amazônia Central. A pesquisa foi realizada em comunidades ribeirinhas do Médio Solimões, na região do município de Tefé e Alvarães, no Estado do Amazonas. 


Os resultados da pesquisa mostram que, com o aumento da intensidade de manejo, a área basal e altura das florestas secundárias diminui, a regeneração da comunidade de plantas passa a depender principalmente de rebrotos, e a infestação de lianas sobre as árvores aumenta drasticamente. Além disso, a diminuição da área coberta por floresta madura na paisagem leva à diminuição da diversidade de espécies nestas florestas. As propriedades do solo tiveram um efeito limitado neste processo.

Nossos resultados demonstram a importância da intensidade de manejo para determinar a estrutura das florestas secundárias e enfatizam a importância das estratégias de regeneração para a resiliência da floresta. No artigo nós discutimos como a intensificação do uso da terra pode levar o sistema a um estado estagnado de sucessão, o qual terá baixa capacidade de prover serviços ecossistêmicos e de manter a agricultura tradicional de corte e queima na Amazônia. 


Diagrama mostrando os efeitos da intensidade de uso da terra sobre a estrutura das florestas secundárias na Amazônia Central, Brasil.

À esquerda estão duas fotos de florestas secundárias que foram sujeitas a baixa intensidade de uso: apenas um ciclo de corte e queima após a derrubada da floresta madura. À direita estão duas fotos de florestas secundárias que foram sujeitas a elevada intensidade de uso: foram realizados mais de oito ciclos de corte e queima, com um tempo de pousio médio de 4 anos. Todas as fotos representam florestas secundárias com 5-6 anos após o abandono da área agrícola. Os triângulos representam a direção das mudanças em quatro variáveis de estrutura da florestas ao longo de um gradiente de intensidade de uso da terra.